Prédicas pretenciosas, proselitismos prosaicos, prepúcios propícios, preceitos prazentes, precitos...
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Sunday, October 30, 2005
Olá everybody!
Devido a este blogue limitar em kbytes o conteúdo que produzo, acho que este é o último post do Cacthingintherye = www.algebrim.blogdrive.com , pois já não disponho de espaço suficiente. Em todos os posts senti vontade de editar. Também senti vontade de tirar longas férias deste blog. Mas também senti muita satisfação em conhecer pessoas como a Claire! E em poder expressar minhas idéias por meio dele... Mas não chorem (Don’t cry for me), porque eu apenas mudei de endereço. Fiquem ligados!
http://teologoalialla.blogspot.com
é onde vocês podem me encontrar. Até lá!
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Saturday, October 22, 2005
MUSASHI
Introdução ao contexto do livro ou
Basicamente o que está escrito nos marca páginas...
Tornado livro de cabeceira nacionalmente famoso, além de guia da arte de viver, Musashi, escrito por Eiji Yoshikawa (1892-1962), foi inicialmente publicado periodicamente (1013 episódios) no Jornal Asashi Shimbun entre 1935 e 1939, e hoje é a obra literária mais vendida da história do Japão.
Apesar de meu conhecimento sobre o idioma japonês ser muito pequeno, Leiko Gotoda apresenta em sua tradução propriedade e intimidade, tanto com o idioma japonês quanto com o português, além de com o próprio contexto da história do livro, o que é reforçado por suas notas ao pé da página.
O livro é um romance épico baseado na história japonesa, e trata sobre Musashi, que viveu presumivelmente entre 1584 e 1645. O autor dividiu sua obra em sete livros: A Terra, A Água, O Fogo, O vento, O Céu, As Duas Forças e A Harmonia Final. “Destes, os cinco primeiros são uma referência ao gorin, os cinco elementos básicos de que se compõe, segundo o budismo, toda e qualquer matéria, ou ainda os ciclos por que passa o espírito humano para alcançar a perfeição, começando pela terra impura até atingir o estágio mais alto, o céu, ou segundo a concepção budista, a paz do nada, o nirvana”.
Inferências pessoais
O livro é volumoso e dividido em dois volumes, sendo ao todo 1810 páginas, e que o primeiro vai até a página 921.
Para aqueles que compram livros pela capa, com certeza não resistirão a esse, pois a capa é belíssima, com um samurai estilizado, sendo amarela a do Vol. I e azul a do Vol. II, e também não se arrependerão, pois o ritmo da história é fluido, com um capítulo amarrado ao outro, com todos os personagens do livro interligados de alguma forma, o que desperta um grande apetite para devorar suas páginas. Pessoalmente, levei menos de um mês para ler cada volume, reli diversas passagens, e estou relendo o vol. I por inteiro.
É engraçado contrastar a versão de Musashi de amigos que o leram “por cima”, ou daqueles que repetiram a versão de alguém com a própria história do livro.
O determinismo está presente em todo o livro, assim como sabedorias da cultura oriental expressas nas diversas artes (da espada, do chá, da poesia, ...) e descrições das paisagens por onde interagem os personagens (mas, ainda bem, descrições límpidas e curtas). Do que depreendi, achei o caminho da espada, a figura dos monges, das crianças, do contexto político, a universalidade dos entrechoques das relações pessoais e a sabedoria sublime que existe acima dos processos históricos, muito bem retratadas no livro, sendo apenas que a figura da mulher e a apologia do caminho austero do protagonista, os seus pontos fracos. E estes se dão intrincados no outro, pois o maior viés que há no livro, é o de Musashi, e este, no seu adestramento no caminho guerreiro, até superar diversos preconceitos, têm relações muito assépticas com as pessoas.

Dos Personagens do Livro
Muitos são os personagens do livro, e dentre outros importantes na história, há estes, que seguem abaixo, apenas como um aperitivo...
Musashi- Seu nome era Takezo, mas passou a ser chamado Musashi (mesmos ideogramas de Takezo), após a renovação que teve pelo monge Takuan. samurai completo, não teme a morte, não arrisca à toa a vida, coleciona conhecimentos adequando-os à arte da espada, e teve mestres únicos.
Matahachi- É a pessoa que não teme cometer besteiras. Envolve-se com uma mulher + velha que depois o despreza; foge constantemente da mãe, a matriarca Osugi; torna-se alcólatra; rapta Otsu, sua ex-noiva, e dá-lhe uma mordida para ficar como tatuagem; Mas, ao final, ao meu ver, aprende mais que Musashi.
Monge Takuan- Uma das pérolas do livro. Bonzo de grande sabedoria, portanto, sabe rir das situações e também quando levá-las a sério. Ajuda praticamente todos os personagens do livro. “mulher, não te cases com um homem: casa-te com a verdade”. Essa é uma das frases dele, e transcrevo este
excerto do começo do livro:
Estratégias de Guerra
IV
Com a chegada de Otsu, o humor borrascoso do hóspede melhorou aos poucos. À medida que as taças de saquê se esvaziavam, acentuava-se a vermelhidão do seu rosto e, contrapondo-se ao bigodinho empinado, os cantos dos olhos decaíam languidamente.
Algo, porém, o impedia de atingir o estado de total bem-aventurança: do outro lado da mesa havia um intruso que se sentava achatando-se contra o tatami como um corcunda e lia um livro apoiado sobre as coxas. Era o monge Takuan. Calculou que este fosse um dos muitos funcionários de menor importância do templo e, portanto, dirigiu-se a ele com um agressivo movimento do queixo:
- Ei, você!
Ao notar que, absorto na leitura, Takuan nem sequer erguia a cabeça, Otsu chamou-lhe discretamente a atenção.
- É comigo? – perguntou o monge, procurando ao redor.
- Você mesmo, padreco. Não preciso de você. Pode se retirar.
- Não, muito obrigado.
- Não consigo apreciar devidamente a bebida com você aí lendo um livro! Levante-se! – insistiu o comandante.
- Pronto, pronto, já fechei o livro – retrucou o monge, sereno.
- Só de vê-lo me irrito.
- Então leve o livro para fora, Otsu-san.
- Não estou me referindo ao livro. É você a nota destoante neste ambiente.
- Isto agora é um problema. Evidentemente, não possuo os poderes de Goku Sonja*: não sou capaz de me evaporar e desaparecer, ou ainda, de assumir a forma de uma mosca e pousar no canto desta mesa...
- Insolente! Retire-se, já disse! – gritou cada vez mais furioso o comandante.
- Está bem! – respondeu Takuan, parecendo convencido. Tomou a mãe de Otsu e acrescentou: - Nosso hóspede aprecia a solidão. Amor ao isolamento: eis o verdadeiro espírito do homem virtuoso! Vamos embora, Otsu-san, estamos estorvando.
- E... eei!
- Pronto?
- Quem lhe disse para levar Otsu? Eu já sabia, já sabia! Desde o princípio você me pareceu um bonzo arrogante e detestável!
- É verdade, não existem, neste mundo, muitos bonzos ou samurais graciosos. Seu bigode, por exemplo...
- Cale a boca e endireite-se! – gritou o oficial, estendendo a mão para a espada que repousava no nicho.
Takuan arregalou os olhos e fixou o bigodinho que, com a fúria, se retesava:
- Endireitar? Endireitar o quê?
- Está ficando cada vez mais insolente! Vou executá-lo como punição!
- Pretende cortar-me a cabeça? Desista, não vale a pena! – riu Takuan.
- Repita o que disse!
- Não há nada mais desestimulante que decapitar um bonzo. Esforço perdido se, na cabeça que rolou, a boca de repente se abrir num alegre sorriso...
- Ah, é? Quero ver você dizer alguma coisa quando tiver a cabeça separada do corpo!
- No entanto...
A loquacidade de Takuan só fazia aumentar a ira do comandante. A mão cerrada sobre a empunhadura da espada tremia nervosa.
Otsu interpôs-se entre os dois homens, protegendo Takuan com o próprio corpo e, com voz chorosa, recriminava a verbosidade do monge:
- Não fale assim, monge Takuan! Esta não é a maneira correta de se dirigir a um samurai. Por tudo que lhe é sagrado, peça-lhe desculpas, vamos! E se ele lhe corta a cabeça de verdade?
Mas Takuan continuou, irredutível:
- Ora, afaste-se, Otsu-san! Não se preocupe, um homem incompetente como ele, que mesmo contando com a ajuda de um bando de homens leva mais de 20 dias e não consegue capturar um simples fugitivo, não está em condições de cortar a cabeça do monge Takuan. Espantoso será se conseguir! Realmente espantoso!
Otsu- órfã abandonada no templo Shippoji, era noiva de Matahachi. Musashi era amigo de infância de Matahachi e Otsu, e quando ela, ajudando Takuan, captura Musashi (então Takezo), apaixona-se por ele e ajuda-o a fugir. Os dois separam-se, e ela, como itinerante em sua procura, e fugindo de Osugi, conhece também grandes mestres.
Osugi – Matriarca do clã Hon’iden, que teve passado glorioso, é apegada nas tradições. É tamb´m muito religiosa. Persegue Musashi e Otsu, para vingar a traição, que segundo ela, os dois cometeram contra seu filho. Procura com vigor, também, seu filho Matahachi. Grande parte do livro, é uma pessoa amarga, rancorosa e traiçoeira.
Joutaro – É também órfão, no entanto, enquanto Otsu é jovem, Joutaro é criança, pré-adolescente. Trabalhava em estalagens e aprendeu muito com os viajantes, além de ser intelignte por natureza. Torna-se discípulo de Musashi, mas acaba se perdendo de seu mestre e seguindo outro rumo. É um dos personagens mais graciosos do livro. Joutaro é muito esperto e irreverente.
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Wednesday, October 19, 2005
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Tuesday, October 18, 2005
24. E disse Deus: “Produza a terra alma viva segundo sua espécie, quadrúpede e réptil e animal da terra segundo sua espécie.” E foi assim. 25. E fez Deus o animal da terra segundo sua espécie, e o quadrúpede segundo sua espécie, e todo réptil da terra segundo sua espécie. E viu Deus que era bom. 26. E disse Deus: “Façamos homem à nossa imagem segundo a nossa semelhança; e que domine sobre o peixe do mar e sobre a ave dos céus, e sobre o quadrúpede e em toda a terra, e em todo réptil que se arrasta sobre a terra!” 27. E criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea criou-os. 28. E abençoou-os Deus e disse-lhes Deus: “Frutificai e multiplicai, e enchei a terra e subjugai-a, e dominai sobre o peixe do mar e sobre a ave dos céus, e em todo animal que se arrasta sobre a terra.” 29. E disse Deus: “Eis que vos tenho dado toda erva que dá semente que (se acha) sobre a face de toda a terra, e toda árvore em que há fruto de árvore que dê semente; a vós servirá para comer. 30. E para todo animal da terra e toda ave dos céus, e tudo o que se arrasta sobre a terra, em que haja alma viva; e toda verdura de erva (será) para comer.” E foi assim. 31. E viu Deus tudo o que fez e eis que era muito bom; e foi tarde e foi manhã, o sexto dia.
No vers. 24 notamos que há uma referência singular entre os animais: os quadrúpedes!!! (Um abraço a todos os quadrúpedes!). Essa designação particular especifica aos quadrúpedes domésticos, ou seja, aos animais de estimação.
Ao criar o homem, Deus diz: “façamos”; reforçando a idéia de Elohim, vocábulo plural do hebraico. Para nós, cristãos, isso apenas ratifica a trindade divina (Deus pai, Deus filho e Deus Espírito Santo são a mesma pessoa). No entanto, os judeus interpretam essa primeira pessoa do plural, segundo três vertentes: era próprio de pessoas importantes, tais como reis, auto proclamarem-se no plural para denotarem a própria majestade; segundo o Midrash, Deus ao criar o homem, consultou anjos sobre a conveniência dessa criação e, por fim, que Deus convocou forças cósmicas para conceber a criação (Deus + forças cósmicas = nós).
Interessante notar que antes de ‘homem’ não há artigo definido, definindo que esta passagem concerne a ambos os sexos, o que é corroborado no versículo 27.
Contudo, a que se refere “imagem e semelhança” de Deus? Maimônides, em sua obra O Guia dos Perplexos, distingue dois conceitos: Tsélem (Forma) e Demut (Semelhança), de Tôar (Aspecto) e Tavnit (Configuração). Estes significam a figura material, enquanto aqueles a forma espiritual. Acrescenta também que só é possível se aproximar de Deus por meio do espírito (Tsélem e Demut), visto que qualifica Deus como incorpóreo, sem forma, não havendo, portanto, ‘ligação’ com Tôar e Tavnit (formas corpóreas). Assim também Jesus declarou a respeito da adoração, onde não importava o lugar ou a forma, mas se era feita em espírito e em verdade (S. João 4.23-24). Nachmânides interpreta essas palavras como “imortalidade do homem”. Rashi entende nessa expressão “o privilégio do raciocínio”. O filósofo Saadia Gaon sugere que essas palavras aludem ao domínio do homem sobre a criação, assemelhando-se assim ao seu Criador. Outros observam que a passagem refere-se à autoconsciência, implícito a idéia de saber que deve viver e morrer.
Infiro que significa a potencialidade do homem ser Um com seu Criador, podendo participar de Sua vontade (amar) e ‘explorar’ a criação através da inteligência a nós concedida (cultura). A burrice (negação do privilégio da inteligência) constituiria uma revolta cabal do homem para com Deus, assim como a perene senilidade do coração após provar do sentimento e da beleza.
Após a criação no sexto dia, Deus não “vê” apenas que “era bom”, mas sim que “era muito bom”. Depreendo que ao final do sexto dia, Deus observa junto a este, a criação toda; tudo quanto havia criado nos dias antecedentes, e por isso enfatiza sua constatação com o advérbio de intensidade “muito”. Mas creio também, e talvez isto seja o mais tocante para o emprego desse advérbio, que a criação do ser humano, foi algo que aos olhos de Deus, não apenas agradou, mas agradou muito!
Assim, o homem é a coroa da criação! Se Deus o houvesse criado no primeiro dia, esse habitaria em lugares ainda inóspitos, e não teria do que se alimentar. Mas no sexto dia, tudo já estava preparado ao homem, assim como os pais que preparam o quarto para a chegada do bebê. O homem é a coroa da criação também, por poder dominar sobre ela, sendo que esse domínio deve se dar com entendimento, “em moldes ecológicos”, em simbiose com os seres. No entanto, os anjos não foram criados durante esses seis dias, portanto, o homem não domina sobre eles! Nem podemos fazer a assertiva com a reciprocidade dos termos.
A princípio, Deus concedeu ao homem comer verduras e frutas, e aos animais ervas. Mais tarde, porém, permitiu-lhe comer também a carne de animais. Podemos afirmar que antes da queda, todos eram vegetarianos!
Macho e fêmea os criou e sobre o sábado, comentarei no próximo post, sobre o capítulo 2.
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Monday, October 17, 2005
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Brasil registra mais mortes por armas de fogo do que conflitos armados internacionais
Brasil registra mais mortes por armas de fogo do que conflitos armados internacionais
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Brasília, DF - Na última década as mortes por armas de fogo registradas no Brasil superaram o número de vítimas de 23 conflitos armados no mundo, perdendo apenas para as Guerras Civis de Angola e da Guatemala. Nesse período morreram no Brasil 325.551 pessoas, em média 32.555 mortes por ano. Os dados fazem parte do estudo “Mortes Matadas por armas de fogo no Brasil 1979 – 2003”, que foi lançado hoje, segunda-feira (27/06), às 11h, pelo Representante da UNESCO no Brasil, Jorge Werthein, e pelo Presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, no Senado, em Brasília (DF).
“O lançamento tem como objetivo sensibilizar a sociedade brasileira para a importância do desarmamento da população e da aprovação do referendo sobre o fim da livre comercialização de armas e munições no País”, afirma Jorge Werthein.
O estudo, coordenado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, pesquisador da UNESCO e Chefe do escritório da Organização em Pernambuco, revela que, entre 1979 e 2003, as armas de fogo mataram 550 mil pessoas no País, ou seja, 35 mil vítimas por ano ou 100 pessoas por dia. A pesquisa confirma que os jovens, entre 15 e 24 anos, são as principais vítimas das mortes por armas de fogo: do total de vítimas, 206 mil eram jovens nessa faixa etária. Só no ano de 2003, 41,6% dos casos registrados foram de jovens.
A pesquisa foi feita com base em dados do Sistema de Informações de Mortalidade, no caso Brasil, o DATASUS do Ministério da Saúde, e, no caso internacional, da Organização Mundial de Saúde (OMS), detalhando a causa de mortes por uso de armas de fogo em acidentes, homicídios, suicídios e indeterminada. Os dados foram analisados ano a ano conforme o número de mortes por armas de fogo no Brasil. O autor compara a morte por armas de fogo com outras causas de mortalidade como acidente de trânsito, enfermidades etc. Além disso, as mortes por armas de fogo no País foram comparadas com o número de vítimas de 26 conflitos bélicos ocorridos em 25 países do mundo, em períodos distintos. Chama a atenção o fato de o Brasil, mesmo sem ter conflitos religiosos, de fronteiras ou luta política armada, registrar mais vítimas das armas de fogo do que nações atingidas por conflitos bélicos declarados.
Com o lançamento do livro, a UNESCO e o Senado Federal pretendem fortalecer o movimento já iniciado com a Campanha do Desarmamento, de forma a contribuir com a promoção de uma cultura de paz no Brasil. Os números mostram que é importante reduzir o número de armas em circulação no País e também a venda de armamentos para se reduzir a violência.
Alguns dos principais resultados do livro:
• Entre 1979 e 2003, acima de 550 mil pessoas morreram no Brasil vítimas de disparos de algum tipo de arma de fogo, num ritmo crescente e constante ao longo do tempo. Nesses 24 anos, as vítimas de armas de fogo cresceram 461,8%, enquanto a população do país cresceu apenas 51,8%. O crescimento foi puxado pelos homicídios com armas de fogo, que registraram um crescimento de 542,7% no referido período. Os suicídios com armas de fogo subiram 75% e as mortes por acidentes com armas caíram 16,1%.
• Das 550 mil mortes, 205.722, ou seja, 44,1%, foram jovens na faixa de 15 a 24 anos. Considerando que os jovens representam 20% da população total, conclui-se que, proporcionalmente, morrem mais de o dobro de jovens vítimas de armas de fogo do que nas outras faixas etárias.
• Entre os jovens, o crescimento do uso letal de armas de fogo foi ainda mais violento do que na população total, chegando a 640,3%. Os homicídios também são os maiores responsáveis por este crescimento, ao aumentarem 742,9% no período, enquanto o número de suicídios cresceu 61% e os acidentes envolvendo armas de fogo caíram 16,7%.
• Também aumentou a participação da população jovem entre as vítimas das armas de fogo. Em 1979, houve 2.208 mortes juvenis por armas de fogo, representando 31,6% do total de vítimas pr armas de fogo. Em 2003, os 16.345 jovens que morreram por balas de armas de fogo representaram 41,6% do total de vítimas.
• Para o conjunto da população brasileira, as principais causas de morte são as doenças do coração, as cerebrovasculares e, em 3º lugar, as provocadas por armas de fogo. Entre os jovens, contudo, as armas de fogo são a principal causa da mortalidade, numa proporção bem maior que a segunda maior causa de mortalidade juvenil, representada pelas mortes por acidentes de transporte.
• Comparativamente, em 2003, 11.276 pessoas, entre elas, 606 jovens, morreram vítimas da aids. Essa epidemia ocupa a 11ª posição entre as causas de mortalidade da população total e a sexta, entre a população de 15 a 24 anos.
• Entre 1993 e 2003, morreram no Brasil 325.551 pessoas, em uma média de 32.555 mortes ao ano. Em uma comparação com a mortalidade em 25 conflitos armados no mundo, o Brasil apresenta a maior média de mortos/ano.
• Em números absolutos, o Brasil fica atrás apenas da Guerra Civil de Angola, que teria causado a perda de 550.000 vidas, ao longo de 27 anos de conflito, e para a Guerra Civil da Guatemala, que, entre 1970 e 1994, teria causado 400.000 vítimas.
• O Brasil apresenta números e médias de mortes ao ano mais elevados que conflitos armados como a Guerra do Golfo, a Primeira e a Segunda Intifadas, a disputa entre Israel e Palestina e os conflitos da Irlanda do Norte.
• Dos 57 países analisados, o Brasil ocupa a segunda posição, logo abaixo da Venezuela, quando se trata da população total. Entre os jovens, o Brasil ocupa a terceira posição, logo depois da Venezuela e de Porto Rico.
• Entre a população jovem, o Brasil apresenta a 3ª mais elevada taxa de óbitos relacionadas a homicídios por armas de fogo, a 3ª taxa para mortes por armas de fogo cuja causa é indeterminada. Em relação aos acidentes com armas de fogo, ocupa a 15ª posição entre os países estudados e a 20ª, em relação aos suicídios.
• São poucos os países no mundo nos quais, como no Brasil, a mortalidade por armas de fogo supera as taxas de óbito em acidentes de transporte. Entre os 57 países analisados, só em seis casos isso acontece, e cinco deles são países da América Latina: Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela.
• Também são minoritários os países em que as mortes por armas de fogo superam as taxas de suicídio. Do total analisado, são 15 os países que se encontram nessa situação, e a maior parte deles é da América Latina.
Posted at 12:37 am by algebrim
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As principais dúvidas sobre o referendo das armas
As principais dúvidas sobre o referendo das armas
Agência Estado /
Você tem dúvidas sobre o referendo? Confira aqui as principais questões.
Pergunta - Se ganhar o sim, quem tem armas terá de devolvê-las?
Resposta - Não. O que será votado é a proibição do comércio de novas armas.
P - Quem é autorizado a ter arma em casa poderá comprar armas ou munição?
R - Questão polêmica. "Se o sim ganhar, tem de haver regulamentação sobre como vai ficar a vida de quem já tem posse de arma", disse o presidente do Senado, Renan Calheiros, para quem essas pessoas terão direito a comprar munição, por exemplo. Renan disse que cabe ao Ministério da Justiça, no prazo de até 15 dias depois do referendo, submeter a regulamentação ao Congresso ou baixá-la por decreto. Alguns juristas entendem que quem já tem posse poderá comprar munição por se tratar de direito adquirido. Outros acham que isso não pode ser feito, porque não está dito com todas as letras no estatuto. A frente do sim propôs que a munição seja adquirida por meio do Exército, como ocorre hoje com praticantes de tiro.
P - Será possível importar armas?
R - O estatuto só garante esse direito a órgãos de segurança pública, colecionadores, atiradores e caçadores, com autorização prévia do Exército.
P - As fábricas de armas serão fechadas?
R - Não. Elas ainda poderão fornecer armas nos casos previstos no estatuto, além de exportar a produção.
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Sunday, October 16, 2005
“Mal os homens desapareceram, seres que até então tinham-se mantido ocultos surgiram nas copas das árvores, alvoroçados. Eram macacos, existentes em grande número desde essa área até o topo do pico.
De cima do barranco, os animais rolaram pedregulhos, balançaram-se em cipós, desceram à beira do caminho, correram sobre a ponte, ocultaram-se debaixo dela, saltaram para o vale.
A névoa perseguia seus vultos ágeis, brincava com eles. A cena era fantástica, fazia até imaginar que um ser celestial poderia descer das alturas naquele instante e lhes dizer na linguagem santa, compreensível até a animais:
- Que fazem perdidos em brincadeiras neste confinado espaço entre montanhas e vales, seres a quem a vida? As nuvens estão por partir! Assumam-lhes a forma, apressem-se! A oeste se estendem terras sem fim, em Lu Shan poderão dormir, e o pico E Mei Shan de lá a avistarão. Poderão lavar os pés na baía da Chiang Jiang e respirar o ar do universo. A vida se estende sem fim. Venham, sigam conosco!
Talvez então as nuvens se transformassem em macacos, e os macacos em nuvens que subiriam em flocos ao céu e desapareceriam.
À luz do luar, a névoa refletia e duplicava os vultos dos macacos,que pareciam agora brincar aos pares.”
(O Fim do Estilo Yaegaki, capítulo de MUSASHI, Vol. II, pág. 1436-37)
Gosto muito dessa passagem do livro, acho-a muito bonita.
Posted at 07:53 pm by algebrim
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Saturday, October 08, 2005
Versos de Trilussa
Trilussa, poeta italiano cujo verdadeiro nome era Carlo Alberto Salustri, viveu no tempo de Mussolini e ousou escrever fábulas criticando ferinamente o regime facista. Segundo Paulo Duarte, tradutor de sua obra, Trilussa reuniu cinqüenta poemas em Libro muto (Livro mudo) cuja edição logo se esgotou: “o facismo, como sempre acontece em momentos tais, só descobriu que o Livro mudo era um protesto violento, escarnecedor e mordente quando [o livro] já estava na rua”. Mas também explica que Mussolini, no seu tempo de socialismo e boemia, foi amigo de Trilussa, o que talvez justifique sua complacência com o poeta. Se bem que não se pode negar um certo oportunismo perante tão ilustre personalidade, famosa no mundo inteiro. Quando um escritor perguntou a Mussolini quanto à censura rigorosa que fazia calar toda crítica, ele teria retrucado: “Abolição da liberdade? E Trilussa?...”.
Números
Eu valho muito pouco, sou sincero,
Dizia o Um ao Zero,
no entanto, quanto vales tu? Na prática
és tão vazio e inconcludente
quanto na matemática.
Ao passo que eu, se me coloco à frente
de cinco zeros bem iguais
a ti, sabes acaso quanto fico?
Cem mil, meu caro, nem um tico
a menos nem um tico a mais.
Questão de números. Aliás é aquilo
Que sucede com todo ditador
Que cresce em importância e em valor
Quanto mais são os zeros a segui-lo.
Posted at 03:34 pm by algebrim
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