“Mal os homens desapareceram, seres que até então tinham-se mantido ocultos surgiram nas copas das árvores, alvoroçados. Eram macacos, existentes em grande número desde essa área até o topo do pico.
De cima do barranco, os animais rolaram pedregulhos, balançaram-se em cipós, desceram à beira do caminho, correram sobre a ponte, ocultaram-se debaixo dela, saltaram para o vale.
A névoa perseguia seus vultos ágeis, brincava com eles. A cena era fantástica, fazia até imaginar que um ser celestial poderia descer das alturas naquele instante e lhes dizer na linguagem santa, compreensível até a animais:
- Que fazem perdidos em brincadeiras neste confinado espaço entre montanhas e vales, seres a quem a vida? As nuvens estão por partir! Assumam-lhes a forma, apressem-se! A oeste se estendem terras sem fim, em Lu Shan poderão dormir, e o pico E Mei Shan de lá a avistarão. Poderão lavar os pés na baía da Chiang Jiang e respirar o ar do universo. A vida se estende sem fim. Venham, sigam conosco!
Talvez então as nuvens se transformassem em macacos, e os macacos em nuvens que subiriam em flocos ao céu e desapareceriam.
À luz do luar, a névoa refletia e duplicava os vultos dos macacos,que pareciam agora brincar aos pares.”
(O Fim do Estilo Yaegaki, capítulo de MUSASHI, Vol. II, pág. 1436-37)
Gosto muito dessa passagem do livro, acho-a muito bonita.