Entry: BERESHIT Tuesday, October 18, 2005



24. E disse Deus: “Produza a terra alma viva segundo sua espécie, quadrúpede e réptil e animal da terra segundo sua espécie.” E foi assim. 25. E fez Deus o animal da terra segundo sua espécie, e o quadrúpede segundo sua espécie, e todo réptil da terra segundo sua espécie. E viu Deus que era bom. 26. E disse Deus: “Façamos homem à nossa imagem segundo a nossa semelhança; e que domine sobre o peixe do mar e sobre a ave dos céus, e sobre o quadrúpede e em toda a terra, e em todo réptil que se arrasta sobre a terra!” 27. E criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea criou-os. 28. E abençoou-os Deus e disse-lhes Deus: “Frutificai e multiplicai, e enchei a terra e subjugai-a, e dominai sobre o peixe do mar e sobre a ave dos céus, e em todo animal que se arrasta sobre a terra.” 29. E disse Deus: “Eis que vos tenho dado toda erva que dá semente que (se acha) sobre a face de toda a terra, e toda árvore em que há fruto de árvore que dê semente; a vós servirá para comer. 30. E para todo animal da terra e toda ave dos céus, e tudo o que se arrasta sobre a terra, em que haja alma viva; e toda verdura de erva (será) para comer.” E foi assim. 31. E viu Deus tudo o que fez e eis que era muito bom; e foi tarde e foi manhã, o sexto dia.

 

No vers. 24 notamos que há uma referência singular entre os animais: os quadrúpedes!!! (Um abraço a todos os quadrúpedes!). Essa designação particular especifica aos quadrúpedes domésticos, ou seja, aos animais de estimação.

Ao criar o homem, Deus diz: “façamos”; reforçando a idéia de Elohim, vocábulo plural do hebraico. Para nós, cristãos, isso apenas ratifica a trindade divina (Deus pai, Deus filho e Deus Espírito Santo são a mesma pessoa). No entanto, os judeus interpretam essa primeira pessoa do plural, segundo três vertentes: era próprio de pessoas importantes, tais como reis, auto proclamarem-se no plural para denotarem a própria majestade; segundo o Midrash, Deus ao criar o homem, consultou anjos sobre a conveniência dessa criação e, por fim, que Deus convocou forças cósmicas para conceber a criação (Deus + forças cósmicas = nós).

Interessante notar que antes de ‘homem’ não há artigo definido, definindo que esta passagem concerne a ambos os sexos, o que é corroborado no versículo 27.

Contudo, a que se refere “imagem e semelhança” de Deus? Maimônides, em sua obra O Guia dos Perplexos, distingue dois conceitos: Tsélem (Forma) e Demut (Semelhança), de Tôar (Aspecto) e Tavnit (Configuração). Estes significam a figura material, enquanto aqueles a forma espiritual. Acrescenta também que só é possível se aproximar de Deus por meio do espírito (Tsélem e Demut), visto que qualifica Deus como incorpóreo, sem forma, não havendo, portanto, ‘ligação’ com Tôar e Tavnit (formas corpóreas). Assim também Jesus declarou a respeito da adoração, onde não importava o lugar ou a forma, mas se era feita em espírito e em verdade (S. João 4.23-24). Nachmânides interpreta essas palavras como “imortalidade do homem”. Rashi entende nessa expressão “o privilégio do raciocínio”. O filósofo Saadia Gaon sugere que essas palavras aludem ao domínio do homem sobre a criação, assemelhando-se assim ao seu Criador. Outros observam que a passagem refere-se à autoconsciência, implícito a idéia de saber que deve viver e morrer.

Infiro que significa a potencialidade do homem ser Um com seu Criador, podendo participar de Sua vontade (amar) e ‘explorar’ a criação através da inteligência a nós concedida (cultura). A burrice (negação do privilégio da inteligência) constituiria uma revolta cabal do homem para com Deus, assim como a perene senilidade do coração após provar do sentimento e da beleza.

Após a criação no sexto dia, Deus não “vê” apenas que “era bom”, mas sim que “era muito bom”. Depreendo que ao final do sexto dia, Deus observa junto a este, a criação toda; tudo quanto havia criado nos dias antecedentes, e por isso enfatiza sua constatação com o advérbio de intensidade “muito”. Mas creio também, e talvez isto seja o mais tocante para o emprego desse advérbio, que a criação do ser humano, foi algo que aos olhos de Deus, não apenas agradou, mas agradou muito!

Assim, o homem é a coroa da criação! Se Deus o houvesse criado no primeiro dia, esse habitaria em lugares ainda inóspitos, e não teria do que se alimentar. Mas no sexto dia, tudo já estava preparado ao homem, assim como os pais que preparam o quarto para a chegada do bebê. O homem é a coroa da criação também, por poder dominar sobre ela, sendo que esse domínio deve se dar com entendimento, “em moldes ecológicos”, em simbiose com os seres. No entanto, os anjos não foram criados durante esses seis dias, portanto, o homem não domina sobre eles! Nem podemos fazer a assertiva com a reciprocidade dos termos.

A princípio, Deus concedeu ao homem comer verduras e frutas, e aos animais ervas. Mais tarde, porém, permitiu-lhe comer também a carne de animais. Podemos afirmar que antes da queda, todos eram vegetarianos!

Macho e fêmea os criou e sobre o sábado, comentarei no próximo post, sobre o capítulo 2.

 

   2 comments

Al
October 21, 2005   12:46 AM PDT
 
Eu devo conhecer menos ainda, o que exponho é o que li por aí, mais lições de outros amigos, e o que o Espírito me concede... Gostaria de levar estudos assim até apocalipse, e depois começar de volta, com mais conhecimento e experiência... Beijão
Claire
October 20, 2005   05:11 AM PDT
 
Qto ao "muito bom" após criar o ser humano, eu já havia notado; e tb a nossa alimentação antes da queda. Tem umas coisas q não pensara antes; é o bom de ler as considerações (estudos) dos outros; sempre se acrescenta (até pq eu conheço pouco as palavras do original hebraico do AT).

Leave a Comment:

Name


Homepage (optional)


Comments