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MUSASHI Introdução ao contexto do livro ou Basicamente o que está escrito nos marca páginas... Tornado livro de cabeceira nacionalmente famoso, além de guia da arte de viver, Musashi, escrito por Eiji Yoshikawa (1892-1962), foi inicialmente publicado periodicamente (1013 episódios) no Jornal Asashi Shimbun entre 1935 e 1939, e hoje é a obra literária mais vendida da história do Japão. Apesar de meu conhecimento sobre o idioma japonês ser muito pequeno, Leiko Gotoda apresenta em sua tradução propriedade e intimidade, tanto com o idioma japonês quanto com o português, além de com o próprio contexto da história do livro, o que é reforçado por suas notas ao pé da página. O livro é um romance épico baseado na história japonesa, e trata sobre Musashi, que viveu presumivelmente entre 1584 e 1645. O autor dividiu sua obra em sete livros: A Terra, A Água, O Fogo, O vento, O Céu, As Duas Forças e A Harmonia Final. “Destes, os cinco primeiros são uma referência ao gorin, os cinco elementos básicos de que se compõe, segundo o budismo, toda e qualquer matéria, ou ainda os ciclos por que passa o espírito humano para alcançar a perfeição, começando pela terra impura até atingir o estágio mais alto, o céu, ou segundo a concepção budista, a paz do nada, o nirvana”. Inferências pessoais O livro é volumoso e dividido em dois volumes, sendo ao todo 1810 páginas, e que o primeiro vai até a página 921. Para aqueles que compram livros pela capa, com certeza não resistirão a esse, pois a capa é belíssima, com um samurai estilizado, sendo amarela a do Vol. I e azul a do Vol. II, e também não se arrependerão, pois o ritmo da história é fluido, com um capítulo amarrado ao outro, com todos os personagens do livro interligados de alguma forma, o que desperta um grande apetite para devorar suas páginas. Pessoalmente, levei menos de um mês para ler cada volume, reli diversas passagens, e estou relendo o vol. I por inteiro. É engraçado contrastar a versão de Musashi de amigos que o leram “por cima”, ou daqueles que repetiram a versão de alguém com a própria história do livro. O determinismo está presente em todo o livro, assim como sabedorias da cultura oriental expressas nas diversas artes (da espada, do chá, da poesia, ...) e descrições das paisagens por onde interagem os personagens (mas, ainda bem, descrições límpidas e curtas). Do que depreendi, achei o caminho da espada, a figura dos monges, das crianças, do contexto político, a universalidade dos entrechoques das relações pessoais e a sabedoria sublime que existe acima dos processos históricos, muito bem retratadas no livro, sendo apenas que a figura da mulher e a apologia do caminho austero do protagonista, os seus pontos fracos. E estes se dão intrincados no outro, pois o maior viés que há no livro, é o de Musashi, e este, no seu adestramento no caminho guerreiro, até superar diversos preconceitos, têm relações muito assépticas com as pessoas.
Dos Personagens do Livro Muitos são os personagens do livro, e dentre outros importantes na história, há estes, que seguem abaixo, apenas como um aperitivo... Musashi- Seu nome era Takezo, mas passou a ser chamado Musashi (mesmos ideogramas de Takezo), após a renovação que teve pelo monge Takuan. samurai completo, não teme a morte, não arrisca à toa a vida, coleciona conhecimentos adequando-os à arte da espada, e teve mestres únicos. Matahachi- É a pessoa que não teme cometer besteiras. Envolve-se com uma mulher + velha que depois o despreza; foge constantemente da mãe, a matriarca Osugi; torna-se alcólatra; rapta Otsu, sua ex-noiva, e dá-lhe uma mordida para ficar como tatuagem; Mas, ao final, ao meu ver, aprende mais que Musashi. Monge Takuan- Uma das pérolas do livro. Bonzo de grande sabedoria, portanto, sabe rir das situações e também quando levá-las a sério. Ajuda praticamente todos os personagens do livro. “mulher, não te cases com um homem: casa-te com a verdade”. Essa é uma das frases dele, e transcrevo este excerto do começo do livro: Estratégias de Guerra IV Com a chegada de Otsu, o humor borrascoso do hóspede melhorou aos poucos. À medida que as taças de saquê se esvaziavam, acentuava-se a vermelhidão do seu rosto e, contrapondo-se ao bigodinho empinado, os cantos dos olhos decaíam languidamente. Algo, porém, o impedia de atingir o estado de total bem-aventurança: do outro lado da mesa havia um intruso que se sentava achatando-se contra o tatami como um corcunda e lia um livro apoiado sobre as coxas. Era o monge Takuan. Calculou que este fosse um dos muitos funcionários de menor importância do templo e, portanto, dirigiu-se a ele com um agressivo movimento do queixo: - Ei, você! Ao notar que, absorto na leitura, Takuan nem sequer erguia a cabeça, Otsu chamou-lhe discretamente a atenção. - É comigo? – perguntou o monge, procurando ao redor. - Você mesmo, padreco. Não preciso de você. Pode se retirar. - Não, muito obrigado. - Não consigo apreciar devidamente a bebida com você aí lendo um livro! Levante-se! – insistiu o comandante. - Pronto, pronto, já fechei o livro – retrucou o monge, sereno. - Só de vê-lo me irrito. - Então leve o livro para fora, Otsu-san. - Não estou me referindo ao livro. É você a nota destoante neste ambiente. - Isto agora é um problema. Evidentemente, não possuo os poderes de Goku Sonja*: não sou capaz de me evaporar e desaparecer, ou ainda, de assumir a forma de uma mosca e pousar no canto desta mesa... - Insolente! Retire-se, já disse! – gritou cada vez mais furioso o comandante. - Está bem! – respondeu Takuan, parecendo convencido. Tomou a mãe de Otsu e acrescentou: - Nosso hóspede aprecia a solidão. Amor ao isolamento: eis o verdadeiro espírito do homem virtuoso! Vamos embora, Otsu-san, estamos estorvando. - E... eei! - Pronto? - Quem lhe disse para levar Otsu? Eu já sabia, já sabia! Desde o princípio você me pareceu um bonzo arrogante e detestável! - É verdade, não existem, neste mundo, muitos bonzos ou samurais graciosos. Seu bigode, por exemplo... - Cale a boca e endireite-se! – gritou o oficial, estendendo a mão para a espada que repousava no nicho. Takuan arregalou os olhos e fixou o bigodinho que, com a fúria, se retesava: - Endireitar? Endireitar o quê? - Está ficando cada vez mais insolente! Vou executá-lo como punição! - Pretende cortar-me a cabeça? Desista, não vale a pena! – riu Takuan. - Repita o que disse! - Não há nada mais desestimulante que decapitar um bonzo. Esforço perdido se, na cabeça que rolou, a boca de repente se abrir num alegre sorriso... - Ah, é? Quero ver você dizer alguma coisa quando tiver a cabeça separada do corpo! - No entanto... A loquacidade de Takuan só fazia aumentar a ira do comandante. A mão cerrada sobre a empunhadura da espada tremia nervosa. Otsu interpôs-se entre os dois homens, protegendo Takuan com o próprio corpo e, com voz chorosa, recriminava a verbosidade do monge: - Não fale assim, monge Takuan! Esta não é a maneira correta de se dirigir a um samurai. Por tudo que lhe é sagrado, peça-lhe desculpas, vamos! E se ele lhe corta a cabeça de verdade? Mas Takuan continuou, irredutível: - Ora, afaste-se, Otsu-san! Não se preocupe, um homem incompetente como ele, que mesmo contando com a ajuda de um bando de homens leva mais de 20 dias e não consegue capturar um simples fugitivo, não está em condições de cortar a cabeça do monge Takuan. Espantoso será se conseguir! Realmente espantoso! Otsu- órfã abandonada no templo Shippoji, era noiva de Matahachi. Musashi era amigo de infância de Matahachi e Otsu, e quando ela, ajudando Takuan, captura Musashi (então Takezo), apaixona-se por ele e ajuda-o a fugir. Os dois separam-se, e ela, como itinerante em sua procura, e fugindo de Osugi, conhece também grandes mestres. Osugi – Matriarca do clã Hon’iden, que teve passado glorioso, é apegada nas tradições. É tamb´m muito religiosa. Persegue Musashi e Otsu, para vingar a traição, que segundo ela, os dois cometeram contra seu filho. Procura com vigor, também, seu filho Matahachi. Grande parte do livro, é uma pessoa amarga, rancorosa e traiçoeira. Joutaro – É também órfão, no entanto, enquanto Otsu é jovem, Joutaro é criança, pré-adolescente. Trabalhava em estalagens e aprendeu muito com os viajantes, além de ser intelignte por natureza. Torna-se discípulo de Musashi, mas acaba se perdendo de seu mestre e seguindo outro rumo. É um dos personagens mais graciosos do livro. Joutaro é muito esperto e irreverente. |
| Vítor Mácula October 28, 2005 01:58 PM PDT Caro Algebrim. A ironia aliada à sabedoria numa voz narrativa. A arte do romance. Maravilha. Não sabia da existência deste, mas fiquei possuído por um fervor de o ler. Um abraço. | ||
| Jr. October 23, 2005 01:54 PM PDT ta aí, um pouco de literatura japonesa, tô precisando ler cousas diferentes... valeu pela dica! rs | ||
| Claire October 22, 2005 06:31 PM PDT Um comentário bem 'apetitoso', hein? Vi o livro - deve ser esse, 2 vol enormes, bonitos , com o mesmo título - na Saraiva; Não acho provável q vá lê-lo , pelo menos nos próximos meses. Tenho pilhas & pilhas a ler. Mas gosto MUITO de livros (ficção) grossos, empolgantes, bem estruturados, bem escritos, q duram dias & dias pra gente terminar - e q dão saudade e pena de certa forma qdo terminam... | ||
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